Professores do ensino básico têm os salários mais baixos do país
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que os professores da educação básica continuam com os salários mais baixos do país, se comparados com os profissionais de nível superior. São cerca de 2 milhões de profissionais que atendem mais de 50 milhões de crianças e jovens.
De acordo com o estudo, o salário médio dos docentes da educação básica ficou em torno de R$ 1.878 e a taxa de desemprego foi de 3%, entre 2000 e 2010. Mas, em matéria de vencimentos, os professores estão atrás de bacharéis em serviço social, enfermagem e atenção primária e viagens, turismo e lazer.
A pesquisa aponta ainda que as consequências do achatamento salarial do professorado são a falta de motivação, a baixa produtividade e a pequena atratividade da profissão. Por causa dos baixos salários, a carreira docente acaba atraindo, salvo exceções, apenas quem não obteve nota suficiente para ingressar nas faculdades onde os exames vestibulares são bastante disputados.
Sem salário digno, além disso, o docente não se sente estimulado a se requalificar, a buscar novas técnicas pedagógicas e a ascender na carreira – pelo contrário, a categoria é conhecida pelo alto grau de absenteísmo e de afastamento por licenças médicas. A pesquisa do IBGE revela também que as carreiras que levam ao magistério ainda são as de pior desempenho.
Entre as áreas do ensino superior com ao menos 50 mil formados na população, os menores rendimentos foram verificados entre brasileiros que vieram de cursos relacionados a ciências da Educação – principalmente.
O deputado Alex Canziani (PTB-PR), presidente da Frente Parlamentar da Educação do Congresso Nacional e membro da Comissão de Educação da Câmara, analisou a pesquisa e disse que o levantamento mostra que a classe dos professores continua ganhando menos que qualquer outro profissão. “É lamentável que os nossos docentes sejam tão desvalorizados assim. Eles precisam de uma remuneração digna e valorização da carreira para que tenhamos uma educação de qualidade para todos”, salientou o deputado da educação. “No entanto, espero que o PNE consiga reverter essa situação urgente. Só vamos melhorar a nossa educação com professores bem preparados e bem remunerados.”
O Plano Nacional de Educação, PNE, com as diretrizes para os próximos dez anos para educação está em análise na Câmara dos Deputados e deve ser votado ainda neste semestre.